Domingo, 2 de Outubro de 2011

O Linho das Olgas

 
 

Fotos de Nuno Santos

 

Pese embora a maioria de nós conheça o linho, apenas como uma peça de tecido, utilizado no vestuário, ou como peça de enxoval, nomeadamente em lençóis e toalhas. O linho tem outras aplicações e começou a cultivar-se no Egipto, segundo reza a história desde há 2.500 anos A.C.(Antes de Cristo).

O velho testamento faz várias referências ao linho, sendo uma delas a que a túnica utilizada por Jesus Cristo era de linho sem costuras.

Actualmente o linho produz-se quase exclusivamente na Europa, mais propriamente nos Países Baixos como a Bélgica e a Holanda, sendo considerado o melhor de todos, o produzido na Bélgica, na região do rio Lys, um nome amaldiçoado para os portugueses que perderam nessa região 7.500 homens, durante a 1ª Grande Guerra.

Em Portugal ainda que em menor escala, também se produzia linho. Até finais da década de cinquenta, em Outeiro Seco foram várias as famílias que se dedicaram à sua produção, a família Pispalhas foi talvez das últimas que o produziu, de tal forma que muitos de nós ainda se recordará de ter visto a Sra. Leopoldina e a filha a tia Maria a colocá-lo em molhinhos a secar, nas lameiras dos Pelâmes.  

Depois do seu corte o linho em estado vegetal, passa por um longo processo até que se torne em fio ou tecido. Não vou aqui falar exaustivamente dessas várias fases, mas resumidamente direi que, tem de ser: Ripado, Macerado, Triturado, Espadelado ou Cardado, Assedado, Fiado, um sem fim de tarefas que, nos países de grande produção estes processos são feitos de forma mecânica, mas que antigamente na nossa aldeia, estes processos eram feitos de forma artesanal, e basicamente realizados por mulheres. A tia Maria Pispalhas que o conte pois foi das últimas pessoas da nossa terra a ter contacto com a exploração do linho.

Tudo isto para dizer que, quem não conhece o linho na sua forma vegetal, pode ir conhecê-lo no lugar das Olgas, que fica no Papeiro, onde o Dr. Costa fez uma plantação, apenas para mostra aos mais novos como se produz o linho na forma vegetal.

É evidente que do ponto de vista cultural seria interessante agora alguém aproveitasse o linho tal como agora está e mostrasse às gerações mais novas todo o processo até o linho se tornar no têxtil que se extraído seu caule ou no produto químico que se extrai da sua semente a linhaça e que é utilizada como fármaco e cosmético.

 

 

Comi canja de galinha

Duas papas de linhaça

Dois escabeches de beldroegas

Regados com boa vinhaça.

 

Nuno Afonso dos Santos

sinto-me:
publicado por outeiroseco às 14:02
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17 comentários:
De vasco sobreira garcia a 5 de Outubro de 2011 às 22:02
olá tudo bom
que bela lição sobre o linho
parabens nuno,leonor e geno fantástico
e tu meu amigo zé grande iniativa só pessoas com muito pinta para fazer uma plantação dessas
abraços vasco
De JAS FCP Nrº102214 a 4 de Outubro de 2011 às 22:36
QUERO APROVEITAR O NOSSO CANTINHO DA AMIZADE PARA ENVIAR UM GRANDE...GRANDE ABRAÇO AO NOSSO AMIGO Dr. COSTA!
De GENO FIGUEIRAS a 4 de Outubro de 2011 às 15:01
O linho é uma planta herbácea que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lináceas. Abrange um certo número de subespécies, integradas por botânicos com o nome de Linum usitatissimum L.. Compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de uma substância lenhosa. Produz sementes oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cataplasmas de papas, usada para fins medicinais.
De GENO FIGUEIRAS a 4 de Outubro de 2011 às 15:04
Tipos

Plantam-se três tipos de linho:

Linho de fibras (linho para debulhar), para a obtenção de fibras têxteis;
Da semente, para a obtenção de óleo de linhaça;
Linho de cruzamento, conseguido pelo cruzamento do linho de fibras com óleo foi desenvolvido para dar um rendimento suficiente de fibras e óleo. A fibra, contudo, ainda não satisfaz as esperanças nela depositadas pela indústria.
Para que o feixe de fibras não sofra interrupção, baixando assim o valor da fibra para a fiação, é indispensável cuidar para que o talo não se ramifique. Consegue-se isso mediante a semeadura compacta. Os talos têm uma altura aproximada de 50 a 100 cm; o comprimento mais comum é 80 cm, com ramificação na parte superior. Das flores, de cor azul- claro, desenvolvem-se cápsulas de sementes com cinco lojas ou células. A semente, muito oleosa, chata e arredondada, tem um diâmetro de aproximadamente 2 mm. O interesse principal está na obtenção de óleo de linho. A planta baixa ramifica-se muito, origina mais flores, produzindo assim maior quantidade de sementes de óleo. A extração de fibras é desprezada.
De GENO FIGUEIRAS a 4 de Outubro de 2011 às 15:19


Estrutura da fibra

Entre a casca e o lenho encontra-se a zona de filaça, formada de feixes de filaça. Os feixes consistem num grande número de fibras individuais (fibras elementares ou células de filaça), com comprimento aproximado de 25 mm. As fibras individuais são unidas entre si e com as partes vizinhas da planta pela cola vegetal (pectina).

O linho dá-se bem em climas temperados. A planta dura um ano e é semeada logo no início da primavera. Após o período de crescimento, de aproximadamente cem dias, pode-se começar a colheita.

O Cultivo

De uma maneira geral pode-se dizer que a planta dá-se bem em quase todos os climas. No entanto prefere os terrenos silico-argilosos, de solo profundo, de consistências médias, frescas e permeáveis à água. Como a duração do seu ciclo vegetativo é muito curta, a planta deve absorver rapidamente os elementos minerais: os solos frescos e ricos são-lhe altamente convenientes, e nos terrenos pobres os processos de adubação devem ser cuidadosamente aplicados. A colheita é manual, arrancada pela raiz, a fim de se aproveitar todo o comprimento dos caules, formando-se em mancheias (pequenos molhos) com a parte da semente toda para o mesmo lado. Inicia-se quando o talo está amarelo-maduro, isto é, quando o terço inferior do talo ficou amarelo e ele esta perfeitamente redondo por fora. Na maturação total as sementes alcançam plena maturidade.

Neste estado, porém, o talo fornece uma fibra de pouquíssimo valor na fiação. Para o colher, arranca-se do solo o talo juntamente com as raízes. É a colheita do linho. Graças a um trabalho manual são executados pequenos feixes. Hoje já existem máquinas para colher. Obtém-se a secagem e a maturação final das sementes colocando-se os talos, reunidos em feixes, no campo onde formam montes chamados de capelas.

A Ripagem

O linho é depois sujeito a uma operação que se chama ripagem com o objetivo de separar a baganha (película que envolve algumas sementes). Seguidamente é posta a secar ao Sol para serem extraídas as sementes. Com pancadas verticais, faz-se passar por entre os dentes do ripanço (dispositivo para ripar) o topo das plantas. As cápsulas, bem fechadas e rijas, saltam para o chão. Hoje em dia, existem as máquinas ripadoras, fazendo em parte o trabalho.

As cápsulas são postas 4 a 5 dias ao sol, para amadurecerem e, desta forma saírem as sementes (linhaça), que serão guardadas num saco de panolar”, para o ano seguinte
De leonor.moreira a 4 de Outubro de 2011 às 11:37
Pois é, amigo Nuno.

O campo de linho devia ser publicitado nas escolas, mas hoje os profs estão mais preocupados com as burocracias do sistema e nem tempo terão pra pensar em visitas de estudo, acho eu.
Organizei em tempos idos um cortejo intitulado "o calvário do linho" em que 500 crianças mostraram a todos, vestidos a rigor, todos as alfaias necessárias para a produção do vegetal, desde a plantação em vasos, alguns c flor ( linda!) até às velhinhas a fiar sentadas num carro de bois e os bordados no vestuário dos miúdos. Foi objecto de crítica positiva nos jornais locais, regionais e nacional e pela televisão.
Pena não se aproveitar esse linho plantado pelo Dr.Costa para ficar registdo para sempre nas memórias das pessoas.
Mto há pra falar sobre o assunto.
cmps
leonor moreira
De Albertina a 4 de Outubro de 2011 às 08:44
Bom dia amigos

Interessante a história do linho em Outeiro Seco. Tenho umas lembranças muito vagas, de todo o trabalho a que é preciso submeter esta planta, para o transformar nos lindos tecidos, que tão belas peças de vestuário e não só são obtidas como produto final. Pena que não tenhamos podido ver a floração destas plantas, pois o linho dá uma flor azul lindissima. Infelizmente o dono deste linho não se encontra no melhor estado de saúde, desejo o melhor para ele.
De Nuno Santos a 4 de Outubro de 2011 às 08:02
Pois! mas duvido que os alunos da nossa aldeia tivessem feito alguma visita a esse campo de linho, pese embora fosse o propósito pelo qual o Costa o semeou.
Em minha opinião a concentração dos alunos em agrupamentos escolares nos grandes centros, tem vantagens e desvantagens. As vantagens são mais de ordem social e tecnológica. Relacionam-se mais cedo com mais alunos, e passam a ter acesso a outros meios tecnológicos que, não teriam na sua escola da aldeia. Mas em contrapartida, perdem o contacto com a natureza, que é uma outra forma de enriquecimento para a vida.
Nuno Santos
De leonor.moreira a 4 de Outubro de 2011 às 00:00
Amigos,
acabei de descrever as fases pelas quais passa o linho desde que é semeado até ao tear.
Deu erro e apagou-se tudo. Será pq o relatório era grande demais?
Sim Nuno, trabalho de mto interesse pedagógico principalmente para os mais miudos. Pena não ser aproveitado para esse fim.
Por cá, fazem-se mtas visitas c crianças das escolas a esses lindos campos de linho que alguns lavradores ainda semeiam. É o caso de S.Torcato e Mosteiro de Tibães.
cmps a todos
leonor moreira
De Lurdes a 3 de Outubro de 2011 às 19:04
mas ja ouviste ou que? Olha que ele ate repetiu o comentario nem me digas que nem mesmo assim ouviste ahahahha ate ja
De Lurdes a 3 de Outubro de 2011 às 19:03
Oh BF O amigo Nuno ta a falar contigo..mas tu nao ouves oh mouca!!!!!!
De Lurdes a 2 de Outubro de 2011 às 22:26
wow que relatorio! Agumas dessas cenas eu ja tinha ouvido tb mt fixe bf

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