Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

As cabanas no campo

A nossa amiga Leonor Moreira, que muitos outeiro secanos conhecerão apenas por Norinha da professora, publicou no blog da sua aldeia natal a Amoinha Nova, o qual zelosamente administra, em cooperação com alguns membros da sua família, um post, sobre uma cabana propriedade da família.

Esta cabana ao que parece, trás à sua família recordações muitos especiais, porque era onde os pais guardavam as alfaias, e outros bens produzidos na propriedade, entre os quais as cebolas.

O post trouxe-me à memória, as muitas cabanas que, outrora pululavam pelo nosso termo, e às quais chamávamos “corriças” apesar da palavra nem figurar nos dicionários on line.

As nossas corriças ou cabanas, na sua a maioria em ruínas, tinham um fim diferente. Destinavam-se a refúgio dos pastores e do gado, outras mais pequenas e construídas no meio das vinhas, serviam aos seus proprietários, para guarda das uvas, e para as pausas do almoço, quando ali andavam, nas suas lides.

De entre muitas dessas cabanas, a que eu mais recordo, porque passei ali bons momentos, era de uma que existia na Portela, propriedade da minha família, precisamente no local onde o meu primo Ramiro construiu a sua casa.

Viviam-se tempos diferentes em matéria de segurança dos bens, por isso, esta cabana ou barraca como nós lhe chamávamos, era também utilizada para guardar alguns bens agrícolas, entre os quais, o feno ou os cuanhos da malhada.

Por causa da sua dimensão e boas condições, esta cabana serviu ainda para várias comemorações, primeiro da minha mãe e das minhas tias, mais tarde das minhas primas, mas também minhas e do meu irmão Diamantino, para juntamente com outros amigos da nossa idade, comemorarmos os compadres e as comadres, longe das vistas das mães.

A comemoração dos compadres e das comadres era uma tradição antiga, caída infelizmente como a maioria das tradições em desuso. Comemoravam-se nas duas quintas-feiras antes do carnaval. Primeiro eram os compadres, na penúltima quinta-feira, as comadres eram na última quinta-feira que antecedia o carnaval. Fazia-se uma merenda à base de fumeiro (linguiças) roubado às mães, ainda que muitas vezes, estas, saudosas do tempo em que também foram jovens, no-lo davam, às escondidas dos pais.

As mães, comemoravam depois na véspera do domingo gordo, o sábado filhoeiro, fazendo filhoses iguais ás do natal, para toda a família.

Este tema bucólico, em contraste com esta minha vida urbana na capital, traz-me à memória a bela canção da saudosa Elis Regina, “ Eu quero uma casa no campo”.

 

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

Nuno Santos

 

  

 

     

 

 

sinto-me:
publicado por outeiroseco às 16:16
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3 comentários:
De Lurdes a 10 de Fevereiro de 2012 às 13:06
Olá amigos! Muito interessante o post de hoje...lendo o texto disse eu ca pros meus botoes aposto que ao final vai aparecer o nome do amigo Nuno! Gostei muito. Obrigada por compartir historias passadas...é bom recordar. Parabéns.

Mas a essas cenas nao se chamava tb casotas, barracas ????

Mas afinal quem é essa tal Norinha!!??? Eu nao conheço......heheeh bom fim de semana pra todos!!!

De leonor.moreira a 10 de Fevereiro de 2012 às 10:43
Bom dia amigos!
Ora bem! Tenho de agradecer ao amigo Nuno, a referência à minha pessoa enquanto criança aí em Outeiro Seco e ao meu blogue.
Desconhecia que era assim identificada e soube-me bem sabê-lo.
Muito bonito é o facto de aparecerem mais histórias relacionadas com as tais "corriças"...fui pesquisar no dic.dos trasmontanismos e não encontrei.
Parabéns tb ao amigo João que partilhou aqui o episódio.
abraço a todos
leonor moreira
De JAS FCP Nrº 102214 a 9 de Fevereiro de 2012 às 21:35
A PREPÓSITO DE "CORRIÇAS" VOU CONTAR O QUE ME ACONTECEU O ANO PASSADO...
ANDAVA EU Á PROCURA DE UNS TORTULHOS/CARDIELAS NUM DIA BASTANTE NUBLADO, DE UM MOMENTO PARA O OUTRO COMEÇA A CHOVER INTENSAMENTE, NÃO TINHA GUARDA CHUVA, DEI UMA VISTA DE OLHOS EM MEU REDOR E A POUCOS METROS NO MEIO DE UMA VINHA ESTAVA UMA "CORRIÇA" CORRI PARA LÁ, JÁ NÃO ESTAVA EM MUITO BOM ESTADO MAS DEU PARA ME LIVRÁR DE UMA VALENTE CHUVADA...
FAÇO IDEIA DE QUANTAS PESSOAS SE DEVEM TER ABRIGADO NAQUELA CORRIÇA...

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