Sábado, 28 de Junho de 2014

Mostra das pinturas na Capela de Nª Srª do Rosário - visita guiada pelo Sr Padre José Banha

 

 

 
   
   
   
 

Tive o privilégio de visitar a recente descoberta de pinturas na parede onde se fixava o altar, que foi retirado para restauro, na companhia do Sr Padre José Banha. Fiquei estupefacto com o que vi, e com as sábias explicações pormenorizadas do Sr Padre que, superou as expetativas que levava. Foi uma descoberta de relevante interesse patrimonial que deve ficar a descoberto para que todos o possam admirar. Na mostra de fotos que vos apresentamos são bem visíveis diversas imagens dispersas, bem como uma inscrição que deve ser traduzida por especialistas. Não restam dúvidas que toda a capela teria pinturas a fresco, mas que a ignorância dos autores da época as cobriu com uma camada de tinta ou as destruíram e colocaram cimento. Isso é possível verificar-se nas fotos dos cantos da parede, onde se observa a continuidade.

Agradeço a gentileza do Sr Padre José Banha que, mais uma vez, demonstra a sua sensibilidade para a cultura e está encaminhando os trabalhos, ouvindo diferentes fontes e, no nosso entender, na direção correta. Bem haja pelo seu contributo para o enriquecimento do vasto património desta terra.

O meu contributo será sempre de total disponibilidade para o que precisar.

sinto-me:
publicado por outeiroseco às 08:59
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5 comentários:
De Anónimo a 13 de Julho de 2014 às 18:11
Ainda os frescos quinhentistas descobertos na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Outeiro Seco, e que aguardam estudo, conservação e restauro. O tema, como tenho dito, é misteriosíssimo: que representam estas 'histórias' dispostas em ciclo narrativo em quatro registos, que parecem narrar um milagre local, uma história de devoção local ? A inscrição pintada na base do altar nada esclarece. Fui ver as notas do meu Diário nº 78, de Julho de 1995 (quase vinte anos passaram !), onde registo a passagem por Chaves, estando eu a investigar para um grande livro de análise micro-artística regional, que se veio a chamar 'André de Padilha e a pintura quinhentista, entre o Minho e a Galiza' (ed. Estampa, 1998). Bom, estive em Chaves e Outeiro Seco e investiguei igrejas, capelas, arquivos (embora, naturalmente, não visse estes frescos, que estavam tapados... o que sucedeu até há semanas...). Recordo agora que no Arquivo da Misericórdia de Chaves, onde o funcionário senhor Carlos Alberto me deu acesso aos manuscritos, vi um LIVRO DE TESTAMENTOS DA SANTA CASA de 1620, sendo provedor Leonardo Teixeira, com treslados desde 1548, e a fl. 34 anotei uma refª a relíquias que existiam no Sacrário do altar do Ecce Homo, dos MÁRTIRES DE CARDENHA (sic), que foram mandadas por Frei Mauro de Chaves, que fora abade do Mosteiro de Santo Estêvão de Ribas de Sil, reino de Galiza, por seu testamento. Será que estas relíquias terão a ver com o 'milagre' venerado no fresco agora descoberto ? A investigar... Espero ir este verão a Outeiro Seco, já que tenho que ver no Norte várias obras de arte.
VITOR SERRÃO / facebook
De Anónimo a 13 de Julho de 2014 às 18:10
Ainda os frescos quinhentistas descobertos na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Outeiro Seco, e que aguardam estudo, conservação e restauro. O tema, como tenho dito, é misteriosíssimo: que representam estas 'histórias' dispostas em ciclo narrativo em quatro registos, que parecem narrar um milagre local, uma história de devoção local ? A inscrição pintada na base do altar nada esclarece. Fui ver as notas do meu Diário nº 78, de Julho de 1995 (quase vinte anos passaram !), onde registo a passagem por Chaves, estando eu a investigar para um grande livro de análise micro-artística regional, que se veio a chamar 'André de Padilha e a pintura quinhentista, entre o Minho e a Galiza' (ed. Estampa, 1998). Bom, estive em Chaves e Outeiro Seco e investiguei igrejas, capelas, arquivos (embora, naturalmente, não visse estes frescos, que estavam tapados... o que sucedeu até há semanas...). Recordo agora que no Arquivo da Misericórdia de Chaves, onde o funcionário senhor Carlos Alberto me deu acesso aos manuscritos, vi um LIVRO DE TESTAMENTOS DA SANTA CASA de 1620, sendo provedor Leonardo Teixeira, com treslados desde 1548, e a fl. 34 anotei uma refª a relíquias que existiam no Sacrário do altar do Ecce Homo, dos MÁRTIRES DE CARDENHA (sic), que foram mandadas por Frei Mauro de Chaves, que fora abade do Mosteiro de Santo Estêvão de Ribas de Sil, reino de Galiza, por seu testamento. Será que estas relíquias terão a ver com o 'milagre' venerado no fresco agora descoberto ? A investigar... Espero ir este verão a Outeiro Seco, já que tenho que ver no Norte várias obras de arte.
VITOR SERRÃO / facebook
De Anónimo a 13 de Julho de 2014 às 18:09
Ainda os frescos quinhentistas descobertos na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Outeiro Seco, e que aguardam estudo, conservação e restauro. O tema, como tenho dito, é misteriosíssimo: que representam estas 'histórias' dispostas em ciclo narrativo em quatro registos, que parecem narrar um milagre local, uma história de devoção local ? A inscrição pintada na base do altar nada esclarece. Fui ver as notas do meu Diário nº 78, de Julho de 1995 (quase vinte anos passaram !), onde registo a passagem por Chaves, estando eu a investigar para um grande livro de análise micro-artística regional, que se veio a chamar 'André de Padilha e a pintura quinhentista, entre o Minho e a Galiza' (ed. Estampa, 1998). Bom, estive em Chaves e Outeiro Seco e investiguei igrejas, capelas, arquivos (embora, naturalmente, não visse estes frescos, que estavam tapados... o que sucedeu até há semanas...). Recordo agora que no Arquivo da Misericórdia de Chaves, onde o funcionário senhor Carlos Alberto me deu acesso aos manuscritos, vi um LIVRO DE TESTAMENTOS DA SANTA CASA de 1620, sendo provedor Leonardo Teixeira, com treslados desde 1548, e a fl. 34 anotei uma refª a relíquias que existiam no Sacrário do altar do Ecce Homo, dos MÁRTIRES DE CARDENHA (sic), que foram mandadas por Frei Mauro de Chaves, que fora abade do Mosteiro de Santo Estêvão de Ribas de Sil, reino de Galiza, por seu testamento. Será que estas relíquias terão a ver com o 'milagre' venerado no fresco agora descoberto ? A investigar... Espero ir este verão a Outeiro Seco, já que tenho que ver no Norte várias obras de arte.
VITOR SERRÃO / facebook
De VITOR SERRÃO a 13 de Julho de 2014 às 17:45
Ex.mo Senhor: envio para seu conhecimento...

A partir das fots recebidas por Rui Araújo, Padre José Banha, e do seu blog, fiquei muito interessaio pela descoberta do RETÁBULO FINGIDO a fresco, de estilo maneirista, que apareceu no altar da Capela de Nª Sª do Rosário em Outeiro Seco, Chaves, Trás-os-Montes, atrás de um altar de talha barroca, e que aguarda estudo e intervenção de salvaguarda. Como afirmei há duas semanas na pág.do FACEBOOK ao receber a notícia, o património artístico nacional é algo de riquíssimo. Nos últimos anos, começam a ser descobertasc de modo mais sistematico mais riquezas artísticas absolutamente ignoradas, como é o caso agora narrado. Informação recente trouxe ao meu conhecimento a existência de um importante conjunto fresquista da segunda metade do século XVI a cobrir a parede fundeira da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Outeiro Seco, termo da cidade transmontana de Chaves.
Como se noticiou numa discreta nota de imprensa local (em reportagem do senhor Nuno Santos), aconteceu que durante uma obra realizada no templo, tendo-se procedido à desmontagem do retábulo de talha dourada de estilo barroco, apareceram estas interessantíssimas pinturas murais, ainda em estado de conservação muito apreciável ! Embora eles não sejam atribuíveis ao século XV, como aí se noticia, nem tenham relação estilística com os frescos da próxima igreja de Nossa Senhora da Azinheira (que estão vinculados, sim, a campanhas manuelino-joaninas), é certo que têm grande valia para a História da Arte portuguesa, contando-se entre a abundante produção fresquista realizada no fim do século XVI e inícios do XVII, sob influência do Concílio de Trento, nas igrejas e capelas de todo o Noroeste peninsular, por artistas oriundos de Braga, de Viana do Castelo ou de Santiago de Compostela, de que se vão conhecendo os nomes e os passos. Num livro que a Estampa editou em 1998, 'André de Padilha e a pintura quinhentista entre o Minho e a Galiza', dei testemunho documental dos resultados das pesquisas que realizei nesse sentido. Neste caso de Outeiro Seco, trata-se de um 'retábulo fingido', envolvendo um nicho 'real' onde se integrava a imagem do titular da capela (cujo orago actual é Nª Sª do Rosário, mas na altura podia ser outro), e que inclui quatro cenas historiadas que narram um milagre não identificado, acompanhadas por um letreiro com inscrição latina onde o ignoto encomendante mandou pintar um texto gratulatório de intercessão. Não conheço as pinturas 'de visu' e não posso, por isso, emitir para já qualquer parecer sobre o programa iconográfico (vê-se frades dominicanos, uma senhora num ferétreo, figuras genuflexionadas, e o que parece serem trechos narrativos sequenciais, podendo tratar-se de um 'milagre' local que alguém entendeu ser digno de memória) -- algo que tem de ser bem investigado explorando a História local. Para já -- e o mais importante ! -- confio que estes frescos possam ser bem intervencionados e salvos, até porque são pinturas maneiristas de certo merecimento, e porque a qualidade da obra de talha é fraca e bem pode ser remontada noutro espaço da capela sem prejuízo de se deixarem à vista os frescos da parede fundeira, É possível que estes frescos de Outeiro Seco, cuja execução é já avançada no século XVI, e de um tempo de influência catequética das normas da Contra-Reforma católica, possam pertencer a artistas vianenses. Seja como for, são um excelente documento (mais um!) de uma época da nossa História em que a intercessão divina através das imagens sacras atingiu um poder inusitado, que tem valências antropológicas esclarecedoras sobre o saber e o crer das comunidades de fronteira. (Fotos Rui Araújo, da empresa Capitellum, e Padre José Banha, e do seu blog).

NF: No meu livro ANDRÉ DE PADILHA E A PINTURA QUINHENTISTA ENTRE O MINHO E A GALIZA, Lisboa, ed. Estampa, 1998, pp. 314-315, refiro a existência de um pintor em Chaves, Francisco Feijó, em 1602, de quem não resta obra identificada, mas é óbvio que nada se pode extrapolar em relação aos frescos agora descobertos, sendo estes muito anteriores e de boa 'mão')...

VITOR SERRÃO - Prof. Catedrático. Historiador de Arte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vit.ser@fl.ul.pt
De Anónimo a 30 de Junho de 2014 às 21:49
CAROS AMIGOS (AS)
Também eu fiquei francamente admirado quando tive a oportunidade de verificar o que havia por detrás do altar que foi retirado para restauro. No meu ponto de vista, e apesar de ser um leigo na matéria, trata-se de algo muito valioso e que deve, custe o que custar, ser restaurado. Foi uma surpresa agradável pois veio enriquecer todo um património cultural, artístico, comunitário e especial, que só nos deve honrar. Seja-se catóçlico ou não, o que está em causa é algo que extravasa a abrangência da religião. É suposto que toda a capela detinha frescos nas paredes, mas ao menos devemos tratar de conservar o que resta, e que, apesar de tudo não é pouco.
Manuel Ferrador

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