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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Um pouco de história das famílias do Solar

outeiroseco, 27.11.08

Extracto de um escrito de Antônia Maria de Montalvão Morais

 

O Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira, sogro de D. Antónia Maria de Montalvão Moraes, casou em Outeiro Seco, em 1711.
A partir dessa época, vê-se que os Ferreiras de Outeiro Seco frequentam muito a povoação de Vila Frade, onde mantêm relações amistosas com os Montalvões.
É de notar que, entre as duas povoações, há apenas uma distância de 4 ou 5 quilómetros, que em Outeiro Seco já havia uns Montalvões, descendentes de aquela D. Maria de Montealvam que talvez já também os Ferreiras de Outeiro Seco, possuíssem alguns bens em Vila Frade.
Cremos que o Capitão José Alvares Ferreira e seus filhos, homens de certa notoriedade, deviam viver na casa que hoje é pertença do Sr. Dr. José Maria Ferreira Montalvão, em Outeiro Seco.
Essa casa tem, a encimar o portão de entrada, uma pedra de armas, que não corresponde à Carta, concedida em 1732.
Essa pedra é mais antiga e não existe acerca de ela uma explicação segura. Tem o escudo dividido em duas partes, que têm sido assim interpretadas: à esquerda, quatro faixas horizontais querem dizer Ferreiras; à direita, nove cruzes de Avis, dispostas em três linhas horizontais, significam Alvares.
Tem-se dito que a Casa de Outeiro Seco foi construída por Montalvões e também se tem afirmado que ela foi edificada por Campilhos. Nada menos verdadeiro. Ela foi construída pelo Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira, como o atesta até o facto de ter várias e extensas cavalariças, onde ele podia manter os seus cavalos. Mais tarde, por sucessivos casamentos, que descreveremos, essa casa foi ocupada por Ferreiras Montalvões, por Montalvões Campilhos e novamente por Ferreiras Montalvões.
O Capitão José Alvares Ferreira, nosso ascendente, faleceu em 1738 e jaz naquela capelinha de Nossa Senhora da Portela, ao Norte de Outeiro Seco.
Alguns anos depois, em 1746, é que seu filho Miguel Alvares Ferreira se consorcia com D. Antónia Maria de Montalvão Morais, de que vínhamos falando. Tinha ela 14 anos incompletos e ele 30.
Fixando-se por esta forma esta Senhora em Outeiro Seco e sendo ela a representante da família, por motivos que já atrás expusemos, assistimos pela primeira vez, ao cabo de 116 anos, ao abandono de Vila Frade por parte da família Montalvão. Mas este abandono, como veremos, só foi incompleto e temporário.
Deste casamento, Tenente Miguel Alvares Ferreira X D. Antónia Maria de Montalvão Morais, resultaram nove filhos, dos quais dois faleceram ao que parece sem descendência, mas os outros sete casaram e representam os ascendentes de todas as famílias que hoje usam o apelido Montalvão.
Por isso nós dissemos acima que este casamento projectava uma importância especial sobre todas as famílias Montalvões.
O Capitão Miguel Alvares Ferreira faleceu em Outeiro Seco em 1779, e jaz na Igreja Matriz de S Miguel da mesma povoação.
A viúva D. Antónia Maria de Montalvão Morais ainda continuou a viver em Outeiro Seco, durante alguns anos, porque, como veremos, sua filha D. Vicência Luísa, ainda casou na mesma povoação, em 1784. Mas depois, D. Antónia Maria regressou a Vila Frade, velho ninho dos Montalvões, porque suas filhas mais novas, D. Anastácia Bernardina e D. Eugénia Inácia, já casaram nesta última povoação, respectivamente em 1794 e 1802.
Desta forma se compreende como a família Montalvão, de Vila Frade, com propriedades em Vila Frade e Faiões, adquiriu os bens na povoação de Outeiro Seco.
Finalmente em 1807, na casa onde nasceu, em Vila Frade, expirava D. Antónia Maria de Montalvão Morais, a mais próxima avó comum de tantas famílias Montalvões da actualidade e finava-se no meio de toda aquela simplicidade. Tinha então 75 anos e, além de um filho defunto, deixava outro solteiro e sete casados e com descendência.

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