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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

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O Burro Doméstico

outeiroseco, 30.05.09

Mamífero solípede, perissodáctilo, menos corpulento que o cavalo e de orelhas compridas.
O burro doméstico (Equus asinus, Lin.) distingue-se dos outros equídeos por ter as orelhas muito desenvolvidas, cauda nua na sua inserção e terminada por um tufo de crinas, pelagem geralmente cinzenta e com uma lista dorsal e outra transversal formando cruz sobre as espáduas. A sua anatomia é inteiramente semelhante, no número e disposição de peças, à do cavalo. Tem, porém, a cabeça mais volumosa, as órbitas mais afastadas, o garrote baixo continuando-se em linha recta até à garupa, o peito estreito, pelo que os membros anteriores são muito aproximados, as apófises espinhosas das vértebras dorsais muito desenvolvidas, tornando-lhe assim o dorso muito proeminente e ainda com a vista, o ouvido e o olfacto mais apurados que os do cavalo.
A estrutura dos burros varia consoante o clima e a raça, tendo em média, no nosso país, 1,35 a 1,45 metros de comprimento, medido de entre as orelhas à origem da cauda, e 1,10 a 1,15 m de altura ao nível das espáduas.
A longevidade média do burro é de 15 a 18 anos, mas pode atingir 30 a 35 anos e mesmo mais. O seu completo desenvolvimento opera-se entre os três e os quatro anos e os dentes, que evoluem de uma forma idêntica aos dos cavalos, são, como nestes animais, um bom meio para o reconhecimento da idade.
Nas fêmeas a gestação dura aproximadamente um ano, tendo em cada parto um filho e, muito raramente, dois. Pelo cruzamento das espécies cavalar e asinina obtêm-se híbridos (muares: mus e mulas, produtos de burro e égua ou de cavalo e burra) de grande valor económico, pois são excelentes animais de trabalho por participarem da paciência e rusticidade do burro e da corpulência e força do cavalo.
O burro é empregue quase exclusivamente como animal de carga, mas pode utilizar-se no serviço de sela e de tiro.
De todas as espécies domésticas esta é, sem dúvida, a mais abandonada, pois os criadores, dum modo geral, não lhe dão educação alguma durante o crescimento, sujeitando-o ao trabalho quando atinge a idade adulta por meio de maus tratos, donde resulta que, sendo o burro naturalmente vivo, ágil e dócil, se torna preguiçoso, tímido e teimoso. É incontestável que a maioria dos defeitos que se lhe observam provêm do abandono a que, desde tempos remotos, o burro tem sido sujeito, pois nalgumas regiões do globo, principalmente no Oriente, onde estes animais têm sido e são tão bem tratados como o cavalo, a sua inteligência, vivacidade e beleza são incomparavelmente superiores.
É animal de uma sobriedade notável. Come pouco e contenta-se com forragem e grãos de inferior qualidade que outros animais rejeitariam. A água, porém, tem de ser límpida e sem qualquer cheiro, preferindo sempre as dos regatos e ribeiros já seus conhecidos.
À parte o seu grande valor como animal de carga, pois é capaz de transportar com segurança pesados fardos através dos caminhos mais difíceis, mesmo por escarpas montanhosas, o burro fornece ao homem produtos de grande valor económico. Assim é com o leite de burra, largamente consumido em muitas regiões e que foi, durante muito tempo, considerado excelente tónico, particularmente recomendado para as pessoas debilitadas e com estômagos fracos; tem aproximadamente a mesma composição que o leite de mulher, sendo mais rico em albumina, caseína e sais, mais pobre em gordura e com uma quantidade de açúcar sensivelmente igual. Na Europa a sua introdução na terapêutica data do tempo de Francisco I de França. Este rei, doente havia muito tempo, mandou vir de Constantinopla um médico judeu o qual, depois de o observar, lhe mandou tomar, como único medicamento, leite de burra; como o rei, passado pouco tempo, melhorasse consideravelmente, o seu uso generalizou-se rapidamente.
A carne de burro é muito dura, sendo consumida por muitos povos, simples ou sob a forma de enchidos (salsichão de Lião).
A pele, dura e elástica, tem numerosas aplicações, tais como na fabricação de crivos, tambores, calçado, correias, sacos, etc. Os árabes nómadas fazem as suas tendas com pele de burro.
O excremento, tal como o do cavalo, é um óptimo adubo que se emprega com excelentes resultados para aquecer os terrenos frios.
Os povos antigos serviam-se ainda dos ossos dos burros para fazer o corpo das flautas, certamente porque eram mais duras e mais sonantes que as feitas de ossos das outras espécies.

 

Figurativo:
Não aprende nada, é um burro! > Indivíduo estúpido, teimoso.
Cabeça de burro! > Pessoa estúpida
Está hoje como burro! > Burrice, amuo.
Prender o burro! > Amuar
Trabalhar como um burro! > Trabalhar muito.
Vozes de burro não chegam ao céu! > Não se faz caso do que foi dito.
Descer da burra > Ceder, transigir, depois de grande teima.
Burro de carga > O que faz o seu trabalho e o dos outros
Burro-sem-rabo! > Condutor de carrinho de mão (Brasil)

5 comentários

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    leonor moreira 30.05.2009

    Olá Lurdes
    Para já, sou só Leonor OK?
    Fartei-me de rir com a sua história da burra.Sem dúvida nenhuma que é uma pessoa feliz,com tanto sentido de humor.De burros não tenho história,mas de uma ida a Feces com a minha amiga Isabel comprar rebuçados,chocolates e pratos de pirex,muito na moda naquela época,nunca me vou esquecer.Apareceram uns homens com uma farda e levaram-nos tudo,até os chocolates.No resto do percurso não falámos mais,com tanta tristeza.Mudam-se os tempos,não há homens de farda a amedrontar as crianças,e a Feces só para meter combustível no automóvel.Um dia alegre para si e para todos os visitantes este blog,mesmo que não participem,lêem e pensam.que tb faz falta.
    Abraço
    leonor
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    Lurdes 30.05.2009

    Olá Leonor. Que bom que a historia da burra ainda deu para rir, pois já tem muitos anos mas cada vez que me lembro me rio como se tivesse acontecido ontem. Bons tempos, pena que o resto do pessoal parece que não tem nada para contar ou então tem vergonha, estas historias são muito giras e engraçadas De facto sou uma pessoa que vive feliz, rio e gosto de fazer rir, a vida e muito curta e tem de ser desfrutar ao máximo Pois e Leonor não foi só a ti que te tirão os rebuçados e os chocolates, esses carabineiros (os homens da farda) eram bem maus, ainda nos tocou fugir , esconder e atravessar rios para que não nos tirassem as coisas. Vamos lá pessoal, compartam as suas historias se não são de burros será de cavalos, eu ainda tenho outra historia da" burra preta" mas vou deixar para outro dia. Para todos um óptimo fim de semana e lembrem-se rir e a melhor terapia e sabem que e o melhor e que e grátis ...

    Desde os states Felicidades & um abraço para os visitantes e não visitantes!
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    leonor moreira 31.05.2009

    Viva Lurdes
    Cá está mto calor.Epor aí?
    Não esqueças quando oportuno,contar a da burra preta...
    Um abraço
    leonor
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    Lurdes 31.05.2009

    Olá Leonor tudo bem?Aqui o tempo esta lindíssimo , pois te conto que aqui ainda e muito cedo, acabei de chagar da minha caminhada, normalmente ando como 5-6 km diariamente, a que tirar proveito dos dias assim, esta tudo florido e mesmo bonito sair bem cedinho ver uns andar, outros cuidado dos jardins plantando, regando, lavando os carros etc. Estes dias enchem a alma de muita alegria e muita energia a um dito"de manha e que se começa o dia".Bem lê desejo a continuação de um óptimo Domingo.

    Um abraço dos states
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