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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

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Os jogos tradicionais do Ferrinho, das Escadinhas e das Nações

outeiroseco, 12.02.11

Na ausência de fotos dos jogos descritos no texto, restam-nos imagens similares

De vez em quando vêm-nos à memória reminiscências do passado, entre outras, os jogos que usávamos para passar os tempos livres no inverno. Pese embora o frio que então se fazia sentir, o mesmo não era um factor impeditivo para a realização desses jogos, pelo contrário, era até uma vantagem, sobrava-nos mais tempo para essas brincadeiras, porquanto havia muito menos tarefas no campo.

Curiosamente, jogos tradicionais tiveram sempre alguma sazonalidade, mas fixando-nos apenas nos jogos usados no Inverno, relembro entre outros, do jogo do Ferrinho ou Espeto.

Jogava-se com um ferro de vinte a vinte e cinco centímetros afiado numa das pontas, para melhor se enterrar na terra, por vezes dura da geada. Este espeto na maioria das vezes, era feito da asa de um caldeiro velho. Utilizava-se em três jogos, o Ferrinho propriamente dito, nas Escadinhas e no Jogo das Nações.

No jogo do Ferrinho traçava-se uma linha no chão em que os jogadores, munido cada um de seu espeto, espetavam-no o mais perto possível dessa linha. Quem ficava mais distante da linha era penalizado e, espetava o seu espeto na terra assistindo aos outros, a tentar derrubá-lo. Quem não acertava no espeto perdia e tomava o lugar do espeto anterior. Quando algum dos contendores derrubava o espeto, tinha o privilégio de atirar o espeto derrubado para longe, para gáudio dos restantes e humilhação do derrotado.

No jogo das Escadinhas desenhava-se no chão um trilho, normalmente com trinta quadrados e, cada jogador tinha de percorrer esse trilho regressando à casa de partida. Quando o segundo jogador se cruzava com o primeiro e o derrubasse, este tinha de regressar à casa de partida. Ganhava quem fizesse o percurso de ida e volta em primeiro.

No Jogo das Nações, desenhava-se no chão um grande círculo, simbolizando o globo universal. Dividia-se este círculo em nações, tantas quantos os jogadores intervenientes. A ordem para cada jogador jogar, era também a distância a que ficavam da linha traçada no chão. Começava-se sempre no território ao lado, fosse da direita ou da esquerda.

Por cada espetadela, traçava-se uma linha conforme a inclinação do espeto. O anexado escolhia a parte restante e saía do jogo quando no seu território já não lhe cabia um pé. Por sua vez o jogador quando perdia, apagava todo o território conquistado, retornando à fase inicial. Ganhava quem conquistava o Mundo todo.

Hoje os jovens têm outras motivações e, já ninguém joga o Ferrinho, tanto mais, porque a aldeia também está quase toda asfaltada e, faltará espaço de terra que sirvam de local de jogo. Destes jogos o das Nações era o mais aliciante.

Todos queriam ser uma grande potência, conscientes que só essas podiam anexar as outras. Só que agora essa conquista não se faz territorialmente mas por outras vias como a financeira.

 

Nuno Santos

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