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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

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O carro da boina

outeiroseco, 13.07.11
 

Ora, antes e ouvirmos mais uma belíssima historia que o Nuno nos conta, e que naturalmente o Blogue agradece, gostaríamos de saber como vai a escrita do livro. Já está pronta? A tipografia está à espera. Para quando podemos contar com a apresentação do livro. Finais de Agosto? Vá lá não nos faças sofrer..é que pretendemos que seja uma coisa em grande...

 

Então aqui vai a história do carro e da boina

Os rapazes da minha geração estarão por certo lembrados do carro da boina. Era um Fiat 600 de cor branca de uma professora que, leccionava em Vilela Seca, filha do Sr. Pereira, proprietário da única ourivesaria que havia na rua de Santo António, junto ao Ibéria. E porque morava em Chaves, passava todos os dias pela nossa aldeia, na companhia de outra colega, no seu percurso para a escola.

Não sei qual o fascínio que o carro causava na garotada, o certo é que quando ele passava no alto da escola, ninguém lhe ficava indiferente. E enquanto aguardávamos a chegada do nosso professor Adolfo, que também ele vinha de carro, um Volkswagen carocha preto com a matrícula DD-38-12, quase sempre atrasado porque antes, ainda ia a Santa Cruz deixar a sua mulher, ali professora.

Logo que avistado o Fiat na curva das Alminhas, a garotada entrava em euforia, os que tinham boina rapavam-na da cabeça, os outros, limitavam-se a aguardar aos saltos e aos berros a passagem do carro. E depois deste subir a ladeira da senhora da Azinheira, o que graças à sua pouca cilindrada o fazia com alguma dificuldade, ao aproximar-se da escola, as boinas eram lançadas em estilo disco voador sobre o carro, que quase sempre o sobrevoavam, como não importunavam a condutora, esta nunca se incomodou.

Um dia já no tempo quente e quase no final do ano, o Zé Manuel do Carloto (Anjos) traçou de tal forma o azimute da sua boina, que esta, entrou pela janela do lado da condutora, saindo pela janela do outro lado, só parando no terreno onde agora se situa a casa do Valter Moura.

As professoras, quando viram a boina passar-lhe em frente dos olhos, como se fora um óvni, pararam o carro e perante o nosso pânico, esperaram a chegada do nosso professor, a quem fizeram o relato do sucedido.

Foi o bom e o bonito, o nosso professor que era um gigante, com mais de um metro e oitenta, e nada macio quando tocava a castigos, reuniu de imediato toda a classe em plenário, inquirindo para se levantarem os culpados.

Ninguém se levantou, e num sentido de solidariedade da classe, mas sobretudo, pelo receio de represálias fora da escola, até porque a maioria os implicados, eram os grandes da quarta classe, também não houve delatores. Assim o castigo não passou de um sermão de boas práticas comportamentais, tanto na escola como na rua. Desde aí, deixou de haver o lançamento das boinas sobre o carro, que não deixou porém de ser identificado para sempre, como o “Carro da Boina”.

 

Nuno Santos

 

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