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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Lembranças de um amigo que partiu

outeiroseco, 21.10.11
 
 

É uma prática da religião católica, sempre que alguém morre, rezar-se em sua intenção. Reza-se no dia do funeral a missa de corpo presente, passado uma semana a missa do sétimo dia, e depois a missa do mês.

Não conheço qualquer explicação para estes rituais, nomeadamente, para as missas do sétimo dia e do mês, contudo os católicos acreditam que após a morte, a alma vai para o purgatório, e quanto mais se rezar por ela, mais depressa a alma entra no reino do céu.

Como não estive na missa de corpo presente do meu amigo Costa, nem vou estar nessa missa prefiro neste sétimo dia após a sua morte, evocar alguns momentos bons que vivi com ele na capital.

O Zé Manuel Anjos que foi seu compadre, e o Zé Fernando, eram contemporâneos do Costa, e foram à inspecção no mesmo ano. Um acontecimento célebre, porque em vez de irem de carro de praça como era costume, foram todos de burro, deixando-os presos às árvores na Lapa, pois a inspecção era no Forte de S. Francisco.

Os dois estavam nas Caldas da Rainha na tropa, e o Costa por ser estudante pedira espera. Apesar do Anjos já ser casado, ambos trocaram o fim-de-semana na aldeia, por uma vinda à capital.

Jantamos no mítico Bairro Alto, no restaurante Fidalgo propriedade do meu amigo Eugénio, mesmo defronte ao Faia, onde durante tantos anos cantou a fadista Lucília do Carmo, assim como o seu filho Carlos do Carmo.

 Depois de bem comidos e bebidos, porque o Costa nessa matéria não se ficava atrás, fomos ao Pavilhão da Ajuda, onde nessa noite, jogava para o campeonato europeu de andebol, a selecção de Portugal contra a da Holanda.

Com o pavilhão cheio gritando; Portugal, Portugal, Portugal, o Costa meio toldado, aproveitava os períodos de pausa da restante assistência, para gritar – Almeirinho, Vale d’Amieiro, Teixugueira, dando assim a volta aos nomes do nosso termo. 

Nuno Santos

 

4 comentários

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    joaojacinto 21.10.2011

    Caro conterraneo , em primeiro os meus parabens pela tua coragem na aprentação do livro sobre O. Seco, pois só na semana passada tive o prazer de o começar a ler, mas ja tomei as respectivas anotações. Tambem relativamente à partida do Zezinho Moreiras foi sentida. Quanto a todos estes ritos da Igreja, muitos outros havia alguns ja se perderam deixaram de ser usados como este que acabou nos inicios dos anos 30.Quando alguem estava para morrer na aldeia, tocava-se o sino e o povo ia todo para a Igreja ai rezava-se. Terminada a reza o povo vinha todo em procissão ate casa do moribundo, acompanhados pelo padre e à frente a Cruz. Ai chegados o povo ajoelhava-se todo, o padre ia ate ao leito do moribundo dar-lhe os ultimos Sacramentos, depois saia e procurava ao povo " Perdoai-lhes todos a este vosso irmão?. e o povo respondia sim!. Se alguem tivesse algo a dizer era ali que tinha que dizer. Pois isto funcionava como uma audiência. Muitos outros existiram. Até breve Joaojacinto
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    Nuno Santos 21.10.2011

    Caro João Jacinto,
    Muito obrigado pelos teus parabéns ao livro, o qual, é uma modesta contribuição para a história da nossa terra. No livro apesar de aparecer apenas o meu nome como o autor, está expresso os saberes de muitos outros outeiro secanos, nomeadamente tu, pois estão aí vertidas algumas das informações trocadas no Fórum do Kostinha.
    Sobre a antiga prática da extrema-unção, neste verão passado alguém me falou dela, por acaso não foste tu???
    Um abraço,
    Nuno Santos
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    joaojacito 21.10.2011

    Caro amigo relativamenta falar contigo só se foi em sonho, ou outra forma, mas pessoalmente não. Isto ja consta nos meus apontamentos ha umas largas dezenas de anos, além dessa tambem se realizava em outeiro seco a procissão das ladainhas que era em finais de abril principio de maio, e a ultima que se realizou e que eu possuo um registo é em 1910 tenho documento escrito, alem de varios registos de batismo casamento e obito. Bom fim de semana.joaojacinto
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