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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

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A Tia Bispa

outeiroseco, 17.11.11
 

Há muitos anos viveu na aldeia uma senhora, oriunda da Torre de Ervededo, que por ser muito dedicada à igreja, ficou conhecida por tia Bispa. Ao que parece, seria até uma espécie beata falsa, pois segundo se diz, o seu único filho que cedo emigrou para o Brasil, não era do seu homem, o velho Cambado mas de uma relação extra.

A tia Bispa morava no Penedo, na antiga casa da Maximina, actual casa da Celeste e do Alcino, muito próximo da igreja. Por trás da igreja, na célebre casa do Tear situada na Quinta dos Montalvões, morava o Padre Carlos, que utilizava como acesso à igreja, uma porta existente atrás do adro, agora desactivada. Talvez porque tinha esta serventia, o Padre Carlos mandou fechar como o muro ainda existente, as duas portas laterais de acesso ao adro, uma do lado do Penedo, a outra junto à entrada da casa D. Ritinha do Rio, que tanta polémica agora tem gerado, por causa da dificuldade que as pessoas com reduzida mobilidade, sentem para subirem a escadaria principal, quando vão à missa.

A motivação para o Padre mandar fechar estas portas, foi ao que parece, vedar a entrada no adro de animais domésticos, nomeadamente as galinhas e porcos que, antigamente, circulavam livremente pelas ruas. Diz-se até que o Padre Carlos, tinha uma fobia qualquer com os galos, em especialmente os madrugadores, ao ponto da Tia Bispa, sempre solícita ao serviço da igreja e do padre, andar de madrugar a calar os galos e cães, para que estes não perturbassem o sono do Sr. Padre.

A tia Bispa vivia com algumas dificuldades, razão pela qual passava grande parte do seu tempo de inverno junto dos fornos, onde punha a conversa em dia, ainda lhe davam umas brasas para se aquecer à noite.

Um certo dia em que isso aconteceu, pediu a dois mariolas, o Silvestre e ao seu primo Quim Novais, mais conhecido por “Rabachinhas”, que lhes levassem as brasas a casa, mas que as colocassem apenas no cimo das escadas, e não entrassem.

A mãe do Silvestre que na época explorava o forno do Có colocou as brasas num caldeiro, e lá foram eles rumo ao Penedo, a casa da tia Bispa. Durante o caminho, foi-lhes germinando na mente, qual a razão porque a tia Bispa, tanto lhes recomendou para não entrarem, e que colocassem apenas as brasas, no cimo das escadas.

Lá chegados, não resistiram à tentação da curiosidade, e abrindo a porta da casa, fechada apenas com o caravelho de madeira, encontraram a razão da sua preocupação. Em cima da mesa depararam-se com uma cestinha de maças amarelinhas, cujo aroma era mesmo tentador. Estava assim descoberto o segredo da tia Bispa, e  escusado será dizer que mais uma vez, a ração não foi para quem estava talhada, mas para quem a comeu,  neste caso foram os dois mariolas Silvestre e Quim Rabachinhas, que se deliciaram com as maçãs destinadas à tia Bispa .

Nuno Santos

  

  

 

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