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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Uma questão de medida

outeiroseco, 13.12.11

Diz-se que as conversas dos homens, ou incidem sobre futebol, ou então, sobre política, de permeio introduzem algumas gabarolices, sobre as suas conquistas amorosas.

Já pelo contrário, as mulheres segundo os sociólogos mas também as próprias conversam sobre tudo, ainda que de uma forma mais ligeira e menos aprofundada.

Ora há muitos anos, quando em Outeiro Seco havia muitas leiteiras, após distribuírem todo o leite pelas suas freguesas, regressavam a casa montadas nos seus burros, fazendo lembrar aqueles grupos de ciganos nómadas, que andavam de terra em terra. Como a estrada não tinha o trânsito automóvel de agora, as leiteiras caminhavam em grupo para melhor dialogarem umas com as outras, não havendo a necessidade de caminharem em fila indiana junto à berma da estrada. Faziam-no só quando se cruzavam com algum carro, e de tal forma o fizeram em segurança, que creio não haver o registo algum acidente com leiteiras, nos muitos anos que durou esta actividade, da venda do leite na cidade.

Mas voltando à conversa das mulheres, como é sabido as leiteiras eram muitas, e reviam-se todos os dias à mesma hora, no mesmo local. E para gastarem o tempo no trajecto da cidade à aldeia, falavam de tudo e de todo o mundo, por vezes, a conversa descambava até para a brejeirice, pois algumas não resistiam a uma bebida ofertada pelas freguesas, ficando por isso mais desinibidas.

De tal forma que um dia, uma delas soltou a seguinte exclamação!

- Bós sabeis, que há outras maneiras, sem ser os nossos homens por cima? Eu e o meu Zé já experimentamos, mas como eu sou larga de ancas, e ele é pouco abonado, num conseguimos!

Não se conhece a reacção no momento das outras, o certo é que alguma das presentes divulgou depois este desabafo, de tal modo que a expressão “ larga de ancas e pouco abonado” são frequentes ouvirem-se na aldeia.

Nuno Santos

 

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