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Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Outeiro Seco, Tradição e Modernidade

Aldeia transmontana

Lagares de ouro ou de vinho

outeiroseco, 12.04.12
 
  
  
  

Durante anos e antes do advento da internet, líamos na enciclopédia Luso-Brasileira, no volume 14 página 940 sobre Outeiro Seco, o seguinte:

“Povoação e freguesia do concelho de Chaves, com 970 habitantes e 240 fogos. Situada a 5 km da sede do concelho. A antiga freguesia era um curato da apresentação da Mitra e passou depois a reitoria. Num local chamado Lagares, encontraram-se vestígios de antigas lavras mineiras efectuadas pelos romanos (havia na região minérios de ouro e prata, que foram muito explorados), além de moedas, restos de construções daquela época. Nesta freguesia encontra-se porventura o mais interessante monumento românico do extremo norte da província de Trás-os-Montes”.

Isso fez criar em mim uma convicção, de que Outeiro Seco, fora uma terra muito rica, medindo-se esse indicador na quantidade de igrejas e capelas que possui, servindo no passado para demonstrar a grandeza de uma terra. Eu que tinha um terreno ali perto, enquanto sachava os chícharros, até acalentava a esperança de que, num dia me saltasse alguma pepita, e se desencadeasse ali uma corrida ao ouro como aconteceu no velho Oeste, fruto da literatura que eu lia na época.

Porém no passado sábado, esse sonho desvaneceu-se, quando na companhia do Altino Rio, Carlos Xavier e do Tó Manel, visitei pela enésima vez os míticos lagares, onde pensava eu os mineiros romanos fizeram a lavagem do minério.

Digo míticos, porque sobre este local pairam algumas lendas, como a de que se alguém lá fosse à meia-noite com o livro de S. Cipriano, e na sua leitura se enganasse, lhe aparecia o diabo. Não há memória que alguém lá fosse, mas o livro de S. Cipriano existia em casa do Zé Barroco, no qual eu, talvez por essa superstição, jamais lhe toquei.

Voltando ao passado sábado, e depois do momento alto que foi a apresentação do livro do nosso amigo Manuel Ferrador, lá fomos satisfazer a curiosidade do Tó Manel, agora um especialista em achados arqueológicos, graças aos doutos ensinamentos do Dr. Manuel José Carvalho Martins, mas que era o único que não conhecia os lagares.

Ali chegados o que não é tarefa difícil, pois o caminho é bom, basta andar a pé duas centenas de metros, o Tó Manel desfez logo a minha fantasia romântica sobre os lagares.

- Isto é de vinho! (disse ele) Antigamente toda esta zona era composta de vinhas, e os romanos (aí não me desapontou porque atribui a construção dos lagares aos romanos) pisavam aqui o vinho que depositavam depois nas ânforas, e o transportavam para as suas casas.

Eu continuo com algumas reservas, porque ficando a aldeia ainda longe, e os caminhos na época tão acidentados, presumo que algumas ânforas se terão partido pelo caminho.

Mas claro que tenho que dar crédito aos especialistas, pese embora fosse para mim o desvanecer de um sonho lindo, o de poder ver um dia resplandecer uma pepita de ouro, nos terrenos anexos aos lagares.

Já agora para quem não conhece os lagares e os queira visitar, segue a estrada municipal para norte, até ao Campo Queimado, aí corta à direita para Vila Meã e cem metros depois, de novo à direita, entrando num caminho rural que está bem conservado. Continua nesse caminho para sudeste e cerca de setecentos metros, estaciona o carro, caminhando a pé para nascente apenas uns cento e cinquenta metros. Vá acompanhado de máquina fotográfica e de outros companheiros, não vá o diabo aparecer.

Nuno Santos

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